Liberdade de expressão e multiculturalismo

1. A questão da liberdade e a liberdade de expressão

A questão da liberdade é antiga, passa por todos os aspectos da vida moderna e contemporânea, de modo que ela é o elemento preponderante das sociedades organizadas; ela é, em si mesma, o poder de ação, no seio da sociedade organizada, segundo suas próprias determinações, dentro de limites impostos por normas definidas. Juridicamente, ela está teórica e praticamente interligada à noção de lei, que dá formas e define a liberdade: essa capacidade de agir segundo suas próprias determinações, de modo a formar as potencialidades de cada ser humano a partir de suas virtudes.

Sem entrar nos aspectos mais profundos, podemos dizer que a liberdade seja semelhante ao conceito de energia, tão elaborado por Albert Einstein e tão fundamental para a compreensão dos aspectos da vida e do universo. Podemos dizer que, em termos humanos, a liberdade é a energia que caracteriza o exercício mesmo em movimento, como já diria Aristóteles (energeia), em oposição à potência da atividade e à forma[1]. Ela, tal como a energia, é o conceito que interliga os diversos aspectos das atividades da sociedade ocidental, aquilo que coloca em movimento as diversas potencialidades e individualidades.

Entretanto, não queremos tratar aqui desse conceito tão complexo e extenso, e sim, apenas sobremodo de uma de suas variações: a liberdade de expressão. Com o advento dos meios de comunicação de massa e o surgimento de suas resistências (veículos independentes e abertos de mídia), despontam igualmente as seguintes questões: as regras de liberdade de expressão valem para todos os veículos em questão ou somente para aqueles que aos olhos da lei cumprem suas funções? Neste sentido, o que querem dizer alguns órgãos que radicalizam o conceito de liberdade de expressão e de que modo isso representa a utopia de uma geração? Desde quando a liberdade de expressão adquire um valor universal e desde quando é universal, no entanto, se sofre de inúmeras restrições?

Do ponto de vista legal, alguns órgãos da mídia convencional cumprem com os acordos que a liberdade de expressão agrega, isto é, há ainda aqueles que, ao radicalizar a liberdade de expressão, colocam em xeque valores de outras culturas, como aconteceu com o jornal dinamarquês, que publicou uma charge que humilhava a religião islâmica, gerando uma série de conflitos civis[2]. De um modo geral, parece que há uma cultura de que o jornalista mais adepto aos valores da liberdade de expressão é o mais radical e libertário, de modo que isso se baseia no grande mérito da conquista da liberdade de se expressar da mídia ocidental, mas não somente, de um certo corporativismo que, de fato, só faz sentido à própria imprensa.

Do outro lado, a mídia livre e aberta (que resiste ao monopólio dos grandes meios) se diverge sobre tal questão. Há aqueles que preferem respeitar os acordos da liberdade de expressão (não publicar conteúdos racistas, homofóbicos e nada que remeta à extrema-direita, bem como palavrões e atentados das mais diversas espécies) no intuito de não gerar mais conflitos pelo fato de já significarem resistência, ou por pura convicção ideológica. Mas há aqueles que radicalizam o sentido da liberdade de expressão, por conta de sua estrutura propriamente anti-hierárquica, levando o poder da palavra e do diálogo aos diversos segmentos da sociedade, legais ou ilegais, para haver, ao invés de violência e intolerância, diálogo e conversa da maneira mais livre e espontânea possível. Isso gera problema, mas é a ação mais radical e autêntica que pode ser vista, realmente procurando mudanças de paradigmas. No entanto, não se pode entende-los de modo superficial, é necessário entender o porquê de tal atitude.

2. A geração multicultural

A geração dos anos 1990 é peculiar e muito diferente da tão aclamada geração do maio de 1968 francês, pois os valores são completamente chocantes e divergentes. Não há termos de comparação entre uma e outra, até porque uma surge de oposições à outra. Assim, por volta de 1977, surgem os opositores de 1969, ano em que houve o aclamado concerto de rock Woodstock. Era o nascimento do movimento punk e dos skinheads, ícones da geração de 1990, que deu origem a esses movimentos de resistência à mídia, como as rádios e TVs livres e os sites de publicação aberta, tão comuns nos momentos da insurgência da chama globalização neo-liberal. Os skinheads surgiram como um movimento cultural apolítico, muito ligado à cultura de rua do operariado inglês e amplamente contrário ao movimento hippie de 1968, a começar pelo seu visual: botas altas ao invés de sandálias, suspensórios e cabeças raspadas ao invés dos cabelos longos e roupas leves. Com eles, os primeiros punks, também apolíticos, no entanto, menos conservadores, mas tão contrários aos hippies quanto.

Era o nascimento daquilo que anos depois a intelectual indiana Vandana Shiva nomearia como “multiculturalismo”[3]. Essa geração de 1990 tem como base em grande parte essa visão de convivência entre diversos pontos de vista, interpretações, visões, atitudes, provenientes de diferentes bagagens culturais. Está diretamente ligada à noção de ausência de hierarquia e de espontaneidade. Não há sentido, nestes termos, em se falar em contradição, apenas na existência de diferenças. É uma visão caleidoscópica da vida, uma postura amplamente tolerante, reflexiva, sensível, emotiva e observadora, capaz de transcender sua própria bagagem cultural para entrar em contato com outras culturas, outras tribos. Os pontos de vistas e as conceituações teóricas só fazem sentido em relação a um determinado grupo, não havendo verdade em sentido universal[4]. A verdade é uma conquista que se constrói através do diálogo e do livre debate de idéias, por meio de um processo consensual e aberto, sem a imposição de regras ou normas pré-definidas.

Assim, tal como no início de 1977, em que punks e skinheads andavam juntos, a geração de 1990 acredita que é possível haver diálogo entre as mais diversas instâncias de um povo e sua juventude. Mesmo que essa não seja uma regra seguida por todos, é algo amplamente difundido nesses tempos e é isso o que pensam alguns órgãos da mídia não-convencional ao se debruçar sobre questões como a liberdade de expressão para neonazistas, ou a busca pelo novo no dia-a-dia desses grupos. Não se trata, necessariamente, de fazerem parte desses grupos determinados; mas de faze-los dialogar, lutando pela não violência em detrimento do simples conformismo com as regras, leis e tradições. Neste sentido, fazem com que a liberdade de expressão seja mesmo universal e não somente universal para um determinado tipo de cultura ou grupo identitário ou político-religioso.

Por outro lado, há os problemas oriundos dessa radicalização, que não ocorre somente nos setores da mídia não-convencional, mas também na grande mídia, com casos como o do jornal dinamarquês, que acabou por, em nome da liberdade de expressão, difundir valores altamente conservadores e, até mesmo, xenofóbicos. A liberdade do jornalista, neste caso, fundava-se no fato de que a religião islâmica, que, assim como qualquer religião deve ser respeitada, prega exatamente algo que não pode ser respeitado: a existência de homens-bomba e coisas do tipo. Isso viola o valor máximo da cultura ocidental, o de que todos os homens têm o direito à vida. Sua charge mostrava, portanto, Maomé, o “pai” dos mulçumanos, possuindo uma bomba em sua cabeça, dentro de suas idéias. O fato gerou tantos problemas que não soa absurdo se pensar, por outro lado, no porquê de a liberdade de expressão ser um valor universal, enquanto que ela faz sentido apenas ao mundo ocidental. O multiculturalismo se vê, portanto, frente aos problemas de sua aplicação prática.

3. A prática da liberdade de expressão

A única coisa que pode impedir o sonho da liberdade de expressão são os problemas que ela pode gerar na prática, tais como, o fato de um judeu pregar morte aos nazistas e/ou alemães atingir um alemão e/ou nazista; ou, ao contrário, o fato de um nazista pregar a morte de judeus atingir a comunidade judaica. O mesmo para homossexuais e heterossexuais ou negros e brancos, ou ocidentais e orientais, pobres e ricos, enfim, são inúmeros os exemplos. Até mesmo o fato de que dar liberdade de expressão aos neo-nazistas é uma faca de dois gumes: que, de um lado, pode ser uma boa forma de dar corda para que se enforquem; de outro, pode ser uma brecha para se fortalecerem; tudo isso é problema para a prática radical (e romântica) da liberdade de expressão.

Segundo o site da Embaixada norte-americana[5] (provavelmente o país com maior liberdade de expressão do globo), o desafio para uma democracia é o equilíbrio: defender a liberdade de expressão e de reunião e ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação ou à subversão - este seria um dos princípios da democracia. Do mesmo modo, tal como diz o preâmbulo da Enciclopédia Digital de Direitos Humanos[6], quando se impede o livre debate de idéias e opiniões, se limita a liberdade de expressão e o efetivo desenvolvimento do processo democrático. A Internet é um ótimo exemplo de exercício prático da liberdade de expressão, mas ele só faz sentido, logicamente, se os governos possibilitarem o exercício de todas as pessoas e grupos identitários neste processo; caso contrário, haverá privilégio e exclusão, como acontece em países como o Brasil, por exemplo.

De todo modo, parece que, para todos os casos, a liberdade de expressão requer muita inteligência para seu uso na prática, muita delicadeza e, certamente, algumas regras. Ora, se estamos fora de nós, se estamos ausentes do princípio racional e literalmente “falamos besteiras”, estamos sob o domínio das paixões, tal como um criminoso com distúrbios psicológicos, e não podemos responder pelos nossos atos. Se, por outro lado, isso é algo premeditado, que acreditamos e pregamos racionalmente, então ela há de gerar problemas na prática, e isso pode surgir de uma simples divergência conceitual/política/ideológica, como é o caso dos neonazistas. Não podemos ensina-los a pensar como nós, mas não podemos impedi-los de falar pelo puro princípio da prática da liberdade de expressão, que não deve incitar a violência do mesmo modo que não se deve impedir o livre debate de idéias. Por outro lado, o conteúdo veiculado também não deve incitar a violência, como aconteceu com a charge dinamarquesa, nem muito menos excluir possíveis respostas aos atentados. Assim, o problema não é haver um programa neonazista em uma rádio livre, que respeite todas as religiões, credos ou raças, que somente divulgue seu material musical e poético, de cunho supostamente nazista. O problema surge quando essas pessoas começam a desrespeitar as mais diversas religiões, credos ou raças no microfone, incitando, ao invés do diálogo livre e respeitoso de idéias, a violência e o preconceito.

4. As restrições de uma prática inegociável[7]

Que a liberdade de expressão é uma prática inegociável, é certo, o que não significa que ela não deva possuir, em seu sentido prático e, portanto, teórico, algumas restrições de modo a simplesmente torna-la possível. Teoricamente, é muito simples: se todos tiverem o poder de falar o que quiserem, incluindo ofensas e incitações à violência e ao preconceito, não haveria diálogo, mas simplesmente confronto físico. O direito à honra é o primeiro quisito ao convívio social, de modo que foi justamente por isso que todos os conflitos surgiram a partir da charge do jornalista dinamarquês e é por isso que o nazismo é proibido na maioria dos países do ocidente, pois geralmente leva a conflitos de tal espécie, isto é, de ferimento à honra dos judeus, negros e asiáticos; incitação à violência e o que é pior, ao genocídio.

Neste sentido, pergunta-se: até que ponto a liberdade de expressão é um valor universal e inegociável? A palavra universal (chave neste caso) tem dois sentidos. Se de um lado, ela significa aquilo que a todos é aplicável; de outro, ela significa aquilo que é adaptável/ajustável às mais diferentes necessidades. Assim, não existe do ponto de vista prático, uma totalidade característica do universal, pois aquilo que temos como universal (a exemplo, a liberdade de expressão) deve ser sempre adaptável aos diversos meios, às diversas culturas, em meio às diversas tribos. Daí a necessidade de algumas restrições à prática da liberdade de expressão, algo que faça com que seja possível a convivência das mais diversas culturas espalhadas pelo globo. Novamente, daí o erro do jornal dinamarquês ao publicar tal charge, pois seu conteúdo não respeitava de modo algum as diferenças básicas entre ocidente e oriente, lembrando que, justamente os grupos de extrema-direita, possuem grande influência ideológica do oriente, motivo pelo qual Japão se uniu à Alemanha nazista de Hitler na Segunda Guerra.

Ora, inegociável ela é, sem sombra de dúvida, e esta é uma parte do legado que possuímos aos países do Oriente Médio, mas justamente na medida em que queremos dizer isso a eles, não podemos nos dar ao luxo de não levar em consideração suas restrições, pois são justamente elas que dão sentido ao mérito de sua existência. Assim, não está em questão a sua negociação, não queremos nada em troca do silêncio, ao contrário. O silêncio é justamente a tirania da qual queremos distância. Mas isso definitivamente não pode significar que podemos dizer o que quisermos, gerando violência e, até mesmo, em último caso, gerando uma guerra civil.

NOTAS
[1] Sim, isso por uma ótica da teoria da ação, em que a liberdade está na ação e no movimento e não no poder/capacidade de sua realização.
[2] Charge essa reproduzida pelo jornal francês Le Monde e também pela Folha de S. Paulo (31/01/2006).
[3] Mesmo não sendo a primeira a falar no conceito de multiculturalismo, Shiva talvez tenha sido a intelectual que melhor incorporou o sentido desta geração que pratica o multiculturalismo (ou monomulticulturalismo, como propõe a autora, em tempos de globalização massificada).
[4] Para mais sobre multiculturalismo, ler: “Multiculturalismo Intelectual”, de Roberto Fernández, publicado originalmente na Revista USP, no. 42, junho/agosto 1999, págs. 84-95.
[5] http://usinfo.state.gov/
[6] http://www.dhnet.org.br/dhnet/cdrom/cd2002/index.html
[7] Em referência ao artigo publicado na Folha de S. Paulo (17/02/2006) intitulado “Liberdade de expressão, moeda inegociável”, de Theodore Dalrymple, que gerou muita polêmica.
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(english)

Freedom of speech and multi-culturalism
1. The question of freedom and freedom of speech
The question of freedom is old, it passes through all aspects of modern and contemporary life, so that it is the preponderant element of organized societies; it is, in itself, the action power, in the core of the organized society, according to its own determinations, within limits imposed by definite norms. In a juridical manner, it is theoretically and practically linked to the notion of law, which gives form and defines freedom: this capability of acting according its own determinations, in order to form the potentials of each human being from his virtues.
Without entering in the more deep aspects, we can say that freedom is similar to the conceit of energy, so elaborated by Albert Einstein and so fundamental to the comprehension of the aspects of life and of universe. We can say that, in human terms, freedom is the energy which characterizes the very exercise in movement, as already would say Aristotle (energeia), in opposition to the potency of activity and form [1]. It, such as energy, is the conceit which links the several aspects of western society’s activities, that fact which places at movement the several potentials and individualities.
However, we do not want to deal here with this concept so complex and so large, but just greatly of one of its variations: freedom of expression. With the arrival of mass communication means and the arising of its tendencies (independent and open types of media), blunt equally the following questions: do the rules of freedom of expression have worth to all the messengers (of communication) in case or only those that, at the sight of law, obey its standards? In this sense, what do want to say some organs which make radical the concept of freedom of expression and in what way does this represent the utopia of a generation? Since when does freedom of expression attain an universal value and sincwhen since when it is universal, though it passes through uncountable restrictions?
From the legal point of view, some organizations of the conventional media accomplish the treats which freedom of expression aggregates, this meaning that there are those which, in making radical the freedom of expression, threaten values from other cultures, as it happened with the newspaper from Denmark, that edited a cartoon which humiliated the Islamic religion, generating a series of civil conflicts [2]. In a general way, it seems that there is a culture in which the journalist who is more adept of the values of freedom of expression is the more radical and liberating, so that this have the basis on the great merit of the conquest of the freedom to express one self, form the western media, but not only from a certain corporative form which, in fact, only makes sense to the press itself.

On the other side, free and open media (which resists to the monopoly of big means [mainstream]) diverts itself about such question. There are those who prefer to respect the deals and treaties of freedom of expression (not to edit racist and homophobic contents, and anything which refer to the extreme right wing, as well as curse words and assaults of the most diverse species) with the aim of not generating more conflicts, because of the fact of they already signify resistance, or pure ideological conviction. But there are those who radicalize the sense of freedom of expression, by the way of its properly anti-hierarchical structure, taking the power of the word e of the dialogue to the most diverse segments of society, lawful or unlawful, to take place, instead of violence and intolerance, dialogue and conversation in the more free spontaneous and possible way. This gives rise to problems, but it the most radical and authentic action which can be seen, really looking for paradigms changes. Although, one can not understand them in a superficial way, it is necessary to understand why such attitude takes place.
2. The multi-cultural generation
The generation of the 90s is peculiar and very different of the so acclaimed generation of the French May, 1968, for the values are completely clashing and deviant. There are no terms for comparing one to another because one arises from oppositions to the other. So, by 1977, the opposite ones of 1969 arise - a year in which there was the acclaimed rock concert of Woodstock. It was the birth of the punk movement and of the skinheads, icons of the generation of the nineties, which originated to these resistance movement to the media, as the free radio and TV stations, and the websites of open editing, so common in the moments of the insurgency of the so called neo-liberal globalization. Skinheads arose as an apolitical cultural movement, much related to the street cultura of the English working classes and vastly contrary to the hippy movement of 1968, beginning by its visual appearance: high heel boots instead of sandals, braces and cropped shaved heads instead of long hairs and slight clothes. With them the first punks, also apolitical, however less conservative, but as contrary to the hippies as the skinheads.
It was the birth of that thing that years after the Hindi intellectual Vandana Shiva would call “multi-culturalism”[3]. This generation of 1990 has as a foundation this vision of acquaintanceship between distinct points of view, interpretations, regards, attitudes, proceeding from different cultural amounts. It is entirely related to the notion of absence of hierarchy, and of spontaneity. There is no sense, in this terms, in speaking of contradiction, just in the existence of differences. It is a kaleidoscope-type vision of life, a largely tolerant, reflective, sensible, emotional and watching posture, able to transcend its own cultural background, to keep in touch with other cultures, other tribes. The points of view and theoretical conceptual rates only make sense concerning a determinate group, there not being truth in universal sense [4]. Truth is an achievement which builds itself through dialogue and free debate of ideas, by means of a consensual and open process, without the imposition of pre-definite rules or norms.
So, such as in the start of 1977, in which punks and skinheads walked and hanged around together, the generation of 1990 believes that it is possible to take place dialogue among the most distinct instances of a people and its youth. Even if that is not a rule followed by all, it is something largely advised in these times, and is this what some organizations of the non-conventional media think, at bending over questions as the freedom of expression to neonazis or the search for the new in the day-by-day of these groups. It is not the case, necessarily, of making part of these determined groups, but of make them dialogue, fighting for the non-violence in detriment of the simple conformism with the rules, laws and traditions. In this sense, they make the freedom of expression be actually universal to a determined type of identiary or political-religious culture or group.
On the other hand, there are he problems derived from that achievement, which does not occur only in the sectors of the non-conventional media, but also in the great media, with cases as the Danish newspaper, which, in the name of freedom expression, ended by spreading values highly conservative and even xenophobic. The reporter’s freedom, in this case, had the foundation in the fact that the Islamic religion, which, as any religion must be respected, preach exactly something that can not be respected: the existence of bomb-men and things of this sort. This violates the maximum value of western culture, that of all men have the right to life. Its cartoon showed, therefore, Mahomet, the “father” of the muslins, possessing a bomb in his head, inside his ideas. The fact generated so many problems, that it does not sound preposterous to think, on the other hand, in why freedom of expression is an universal value, while it makes sense only in the western world. Multi-culturalism sees itself, therefore, before the problems of its practical application.
3. The practice of freedom of expression
The only thing which can prevent the dream of the freedom of expression are the problems that it can generate in the practical way, such as the fact of a Jewish preach death to Nazis and/or germans, strike a german and/or nazi; or, on the contrary, the fact of a nazi preach the death of Jewish persons strike the Jewish community. The same to homosexuals and heterosexuals or black people and white, or westerners and easterners, poor and rich, after all, the examples are uncountable. Even the fact that giving freedom of expression to neo-nazis is a ‘double blade knife’: which, by one side, can be a good form of giving rope to them to hang themselves; by the other, it can be a chasm to fortify themselves; all this is trouble to the radical (and romantic) practice of freedom of expression.
In conformity to the website of the American Embassy [5] (propably the country with greater freedom of expression of the globe), the challenge for a democracy is the balance: to defend the freedom of expression and of reunion, and at the same time to preven the speech which stirs violence, intimidation or subversion – this woul be one of the principles of democracy. The same way, such as says the preamble of the Digital Encyclopedia of Human Rights [6], when one prevents the free debate of ideas and opinions, one limits the freedom of expression and the effective development of the democratic process. Internet is a very good example of the practical exercise of freedom of expression, but it only makes sense, logically, if the governments make possible the employment of all identiary people and groups in this process; on the contrary, there will be privilege and exclusion, as it happens in countries like Brazil, for example.
By all manners, it seems that, to all the cases, freedom of expression requires much intelligence for its use on the practical way, much delicacy and, certainly, some rules. Well, is we are out of us, if we are absent of the rational principle and literally we “speak bullshit”, we are under the dominion of the passions, such as a criminal with psychological disturbances, and we can not answer for our acts. If, on the other hand, this is something premeditated, which we believe and preach rationally, then it shall generate problems on the practical way, and this can arise of a simple conceptual/political/ideological dissention, as the case of neonazis. We can not teach them to think like us, but we can not prevent them of speaking by the pure principle of the practice of freedom of expression, which must not incite violence at the same way that one must not prevent the free debate of ideas. At the other side, the content advertised must not instigate violence too, as it took place with the Danish cartoon, neither much less exclude possible responses to the assaults. So, the problem is not that there is a neo-nazi program in a free radio, which respect all the religions, beliefs or races, which only divulge its musical and poetical material, of supposed nazi character. The problem arises when these persons begin to disrespect the most distinct religions, beliefs or races at the microphone, provoking, instead of the free and respectful dialogue of ideas, violence and prejudice.
4. The restrictions of a non-negotiation practice way [7]
That freedom of expression is a practical manner of un-negotiation, is certain, what does not signify that it should have to possess, in its practical sense and, therefore, theoretical one, some restrictions, in order to simply make it become possible. Theoretically, it is very simple: if everybody have the power of speaking what they want, including offenses and violence and prejudice instigations, there would not be dialogue, but simply physical confront. The right to honor is the first attribute to social living together, so that it was precisely because of this that all the conflicts arose from the cartoon of the Danish journalist and it is because of this that Nazism is prohibited in the most part of the western countries, for it generally takes to conflicts of such specie, in other words, of wound to the honor of the Jewish, Black (of African origin) and Asiatic peoples; incitation to violence and, what is worse, genocide.
In this sense, someone asks: until which point freedom of expression is an universal value and a value without negotiation? The universal word (key I this case) has two senses. If, by one side, it means that which is applicable to everyone; by the other, it signifies that which is adaptable/fitful to the most different needs. So, it does not exist from the practical point of view, a characteristic wholeness of the universal, for that which we have as universal (as an example, freedom of expression) must be always adaptable to the several manners, to the several cultures, in the midst of the several tribes. From there the necessity of some restrictions to the practice of freedom of expression, something which make being possible the common living of the most distinct cultures scattered throughout the globe. Again, from that point the mistake of the Danish newspaper at editing such cartoon, for its content did not respect in any way the basic differences between West and East, remembering that, precisely the extreme right wing groups possess great ideological influence from the East, reason by which japan united with hitler’s nazi germany in the Second World War.
Well, it is without negotiation, with no doubt, and this is a part of the legacy which we possess to the Middle East countries, but precisely in the measure in which we want to say this to them, we can not afford not considering its restrictions, for they are precisely which give sense to the merit of its existence. So, it is not in question its negotiation, we do not want anything in exchange the silence, on the contrary. Silence is precisely the tirany from which we want distance. But this definitely can not mean that we can say what we want, generating violence and, even so, at the last case, causing a civil war.
NOTES
[1] Yes, this through an optic of the action theory, in which freedom is in the action and in the movement, and not in the power/capability of its attainment.
[2] This cartoon was reproduced by the French newspaper Le Monde and also by Folha de S. Paulo (31/01/2006).
[3] Even though not being the first to speak on the concept of multi-culturalism, Shiva perhaps have been the intellectual who better incorporated the sense of this generation which practices the multi-culturalism (or mono-culturalism, as the author proposes, in times of mass-fitted globalization).
[4] For further information about multi-culturalism, read: “Multiculturalismo Intelectual”, by Roberto Fernández, edited originally on the Revista USP, n° 42, junho/agosto de 1999, pages 84-95.
[5] http://usinfo.state.gov/
[6] http://www.dhnet.org.br/dhnet/cdrom/cd2002/index.html
[7] Referring to the article published on Folha de S. Paulo (17/02/2006) entitled “Liberdade de Expressão, moeda inegociável” (“Freedom of Expression, a type of coin without negotiation”), from Theodore Dalrymple, which generated much polemic remarks.
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