COMBATE À GRANDE MÍDIA

Estive refletindo e acho que as linhas de ação do movimento estão muito pragmáticas. Acho que precisamos de um diálogo mais profundo. Encontros estão ocorrendo, mas os produtos desse diálogo são, na maioria das vezes, aprofundamento de práticas de rádio, o debate teórico em si tem sido meio que ignorado.
Em termos práticos, acho que estamos vencendo, mas em termos estratégicos estamos muito fracos porque estamos sendo cooptados a todo o momento pela grande mídia, sem percebermos, e fazendo fluir o sistema.Precisamos ser mais combativos, alianças ou admiração pelo poder na minha opinião não funcionam (por exemplo, com o caso do Gil). Acho que podemos fazer um jogo combativo se cooptarmos as estruturas do poder para derrubá-lo. Não se trata de fazer propaganda nem mesmo "o" jogo do poder, mas, como os situacionistas, usá-lo para despistá-lo.
Em tempos de retomada da idade média (como diria Denys Arcand, diretor do “Invasões Bárbaras”), não dá para todos serem reis e rainhas, príncipes e princesas. Só há um rei, uma rainha, um príncipe e um bobo, enfim - senão não dá jogo. Por exemplo, para enfrentarmos a aclamada rainha dos baixinhos, precisamos de uma outra rainha que (1) jogue na mesma moeda e (2) seja concisa em sua condição de rainha. E os peões na condição de peões. Eu não sei quem seria quem, mas precisamos de um jogo mais combativo - em outros termos, a revolução midiática é possível.

Não dá também para ter rotatividade neste jogo, senão não há jogo e as regras passam a ser livres, passíveis de violação. Não há combate, portanto, apenas uma prática bonitinha, sem grandes interações. E isso não significa q cada um não tenha dentro de si um rei ou uma rainha, mas no jogo as posições precisam ser definidas. Reproduções ou cópias falhas de posições destroem o diálogo que pode haver entre as partes.

Se pensarmos bem sobre como deve ser esse jogo de combate à grande mídia, ele pode funcionar. E para isso o trabalho em equipe e a discussão sobre seus fins são fundamentais.

Em suma, precisamos ter posições mais bem definidas até nos próprios programas, que mesclam muito e acabam apresentando pouco. Assim os programas ficam muito parecidos e todos sem uma proposta política bem definida.

No entanto, há uma antítese a essa abordagem que precisa ser explicitada. O problema surge quando pensamos que a descentralização, idéia-chave para o movimento de rádios livres, pode ficar ameaçada com tal proposta de organização interna. Neste sentido, é que o jogo precisa fluir por outras vias, onde todos são lideres e os reis são todos aqueles que detém alguma espécie de poder. Num jogo descentralizado, todos são reis e rainhas.
Assim, só ha centralização quando há disputa, e não cooperação e trabalho em grupo. Centraliza-se para facilitar a disputa, de uma chapa, de um pleito. Ou seja, esse modelo parece não funcionar para a arena das rádios livres, em que todos são reis e todos são lideres. Funciona para uma parcela do coletivo, aquela interessada em privilegiar-se com o jogo da dominação. A centralização facilita o monólogo e priva a diversidade de seu existir autêntico.

Assim, não pode haver centralizações, mas também a existência de posições bem definidas não significa que vá haver centralizações, apenas posições definidas, o que só tende a fazer fluir o diálogo. O que impede o diálogo e gera centralizações, por outro lado, é justamente o desrespeito às posições, a disputa por elas. Cada um deve se arranjar conforme sua criatividade para criar posições. Não estamos presos às posições do xadrez, o mundo vai muito além das posições de reis e rainhas. Depende da imaginação de cada um. E o orgulho pelas posições só tende a gerar a guerra interna, o que novamente enfraquece o diálogo e o livre fluir das posições.
Deste modo, com descentralização e ação refletida, fazemos fluir a disputa contra a grande mídia, esta sim uma disputa saudável. Ao invés da fazermos fluir o sistema, fazemos fluir o nosso combate e só então seremos realmente livres.
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(english)
COMBAT THE GREAT MEDIA
I have been wondering and I think that the action lines of the movement are very pragmatic.
I think that we need a further dialogue. Meetings are occurring, but the products of this dialogue are, most of the times, deepening of radio practices, theoretical debate itself has been kind of forgotten.
In practical terms I think that we are winning, however, in strategic terms we are very weak because we are being admitted every hour by the great media, without realizing it, and we are making the system flow. We need to be more fighting, alliances or admiration for the power, in my opinion, do not work (for example, with Gil’s case). I think we can do a fighting game if we admit the power structures to bring it down. It is not doing marketing, not even “the” power game, although, like situationists, use it to throw it off the scent.
In times of resuming the middle ages (as would say Denys Arcand, director of “Barbrian Invasions), it can not happen to everyone be kings or queens, princes and princesses. There is only a king, a queen, a prince and a fool, t last – if not, the game does not take place. For example, to confront the acclaimed ‘queen of the short ones’, we need another queen who (1) play the same way and (2) be concise in her condition of queen. And the pawns, in the condition of pawns. I do not know who would be who, but we need a more battle-like game – in other words, the media revolution is possible.
There can not be also shifting in this game, otherwise there is no game and the rules become free, open to violation. There is no combat, therefore, just a little pretty practice, without great interactions. And this does not mean that each one does not have inside the self a king or a queen, but in the game the positions need to be defined. Reproductions or failed copies of positions destroy the dialogue which there can be between the parts.
If we think well about how must be this game, fighting the great media, it can work. And for this the team work and the discussion about its effects are fundamental.
In short, we need to have more better defined positions even in the programs themselves, which mix much and get over presenting little. So, the programs stay very alike and all without a political proposal well defined.
However, there is antithesis to that approach which need to be explained. The problem arises when we think that no-centralization, key idea to the movement of free radios, can be threatened with such proposal of internal organization. In this sense, the game need to flow by other paths, where all are chiefs and the kings are all those who hold some sort of power. In a non-centralized game, all are kings and queens.
Then, there is only centralization when there is quarrel, and not cooperation and team work. One centralizes to make easier the quarrel of a list, a lawsuit. It means that this model seems not to work to the arena of free radios, in which all are kings and leaders. It works for a piece of the collective public, that one interested in taking privilege with the domination game. Centralization makes easier the monologue and deprives diversity of its authentic existing.
So, there can not be centralizations, but the existence of well defined positions does not mean that there is going to be centralizations, just definite positions, which only have the tendency to make the dialogue stream. What prevents dialogue and generates centralizations, on the other hand, is precisely the no-respect to the positions, the quarrel for them. Each one must compound him or herself according to his or her creativity to create positions. We are not imprisoned in the chess positions, the world goes far away from the positions of kings and queens. It depends of each one’s imagination. And the pride for the positions only tends to generate the inner war, which again makes weak the dialogue and the free flowing of the positions.
In this way, with non-centralization and wondered action, we make the quarrel against the great media, this one, yes, a healthy quarrel. Instead of making the system stream, we make flow our combat and only then we will be really free.

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