DIVERSIDADE É POLÍTICA !

O funcionamento da Rádio Muda permite que aqui se escreva tanto do ponto de vista do ouvinte de um programa de rádio quanto de um produtor, programador e locutor. Isso porque, em uma rádio livre, não há como dissociar estas três últimas funções da figura do ouvinte.

Rádio por prazer, dançar ou gesticular enquanto fala no microfone!!! Pula e bate a cabeça no teto... Em que outro tipo de rádio, a não ser em uma rádio livre, você pode chamar os amigos para curtir um som, dar umas risadas, debater sobre qualquer assunto e ainda “compartilhar o clima” com quem está ouvindo através das ondas radiofônicas em FM e também com quem está em qualquer outra parte do mundo, conectado na Internet?!

Daí uma pequena noção da questão: “Pra quê servem os especialistas?”. Um depoimento: “Os melhores programas são aqueles que eu faço pra mim mesmo”, diz um deslumbrado programador mudeiro depois de sair atordoado por causa do som no talo dentro do estúdio da rádio.

“Sonzeira, sonzeira, sonzeira”... – a ausência de uma linha editorial e de uma discussão autoritária sobre que tipo de música pode ou não tocar na rádio até hoje fez com que a maioria dos programas trouxessem aos toca-discos e toca-CD’s uma programação musical de primeira qualidade. É o benefício que traz o respeito à diversidade de gostos e estilos e que deve ser um dos fundamentos da rádio livre.

Essa questão superficialmente tocada aqui é sempre discutida nos encontros “oficiais” e não-oficiais dos programadores das rádios livres que pululam no Brasil. No entanto, como se percebe em todas as conversas sobre o conteúdo tocado nas rádios livres, não há como separarmos um tema do outro. A boa qualidade da programação, o teor de consciência política que ela carrega são como causa, efeito, justapostos, dependentes e completamente aliados à outras questões como o modo como a rádio é gerida, como a possível e latente unicidade do ouvinte/programador.

Tratar a programação de rádio e toda a produção de conteúdo midiático como algo que pertence a pessoas comuns é evidenciar a falsidade da “noção do especialista”, própria do capitalismo que, ao louvar a “produtividade”, a eficiência racional e a busca por resultados materiais a curto prazo, nos outorga uma falsa naturalidade da divisão do trabalho e nos mistifica e tenta proibir a utilização comum das tecnologias de produção de informação e de comunicação.

A prática de rádio livre assim como a popularização da produção em outros meios tecnológicos de comunicação pode estar ligada à solução do problema da passividade do consumidor (pós?!)moderno, do considerado “cidadão” da chamada “sociedade do espetáculo”. Certamente, o comportamento da recepção passiva, seja de músicas plastificadas, seja de latinhas de comportamento enlatado através dos aparelhos receptores de comunicação, faz parte da mesmo saco em que estão jogadas, por exemplo, as questões do abandono do urbano, da inoperância da democracia representativa e das “eleições” que elas tentam legitimar.

DIVERSÃO É POLÍTICA !

Rádio Livre = Respeito à diversidade = inevitável programação de qualidade

"Low-tech e calor no coração"

Segunda, a partir das 14h na Muda (105,7 FM)

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