A incrível história da Rádio Muda - Primeira parte

A INCRÍVEL HISTÓRIA DA RÁDIO MUDA (primeira parte)

Como bom dinossauro que sou (daqueles alunos cujo RA conta com no mínimo um número 8 ou 7, a montante) sinto-me na obrigação de registrar para a eternidade a comovente epopéia daquela que, sem dúvida, ultrapassou os limites da universidade e conquistou corações e mentes por este mundo afora.

Este relato deve ser guardado com carinho, pois é só assim que os filhos de seus filhos e os filhos dos filhos de seus filhos tomarão conhecimento de como tudo começou...

Segundo estórias vindas da época do Big-Bang, tudo teve início em 1986, poca em que a Biblioteca Central da Unicamp era nada mais do que aquele barracão atrás da DAC(*), hoje relegado ao esquecimento. No local da BC de hoje havia apenas grama, e na caixa d'água havia um gigantesco olho que o tempo levou.

Época em que não se ouvia falar em Moradia, mas em 'TABA' onde hoje é o SAE, e seus moradores viviam a tomar banho nos hidrantes do básico.

Época em que önibus era 'Vermelhão - CCTC', Espresso....(**) pensar. Duração mdia da viagem: 45 minutos, quando chegava. Sala de computação era um amontoado de Itautec 7000, velocidade 500 khz, dotados de potentes drivers mastigadores de disketes 160kb.Foi nesse contexto que foram ouvidos os primeiros comentários assustados e inibidos sobre Ela.

A Muda evoluiu muito desde que saiu daquele cantinho no fundo do DCE, quando operávamos com cerca de 5 watts de potënca na saída do transmissor e sabe-se lá quanto era irradiado pela antena que ficava pouco mais de 3 metros do chão. Nossa principal audiëncia eram as 'tias' do bandeijão e as enfermeiras que davam plnatão no... (**). O transmissor fora contruído por um dinossauro da Física, ... (**) ambos já extintos.

Nessa época, ... (**) tinhamos um mapa de Barão no qual assinalávamos rua por rua onde podíamos captar o misterioso sinal em torno dos 106Mhz.

Realizávamos verdadeiras patrulhas pelas ruas da cidade universitária, prestando atenção num chiado meio diferente que vinha dos alto falantes do rádio do carro que indicava que a Muda estava sendo "bem" recebida naquele local. Enquanto isso, no bandeijão, nosso feijão ia sendo cozido ao som de Sidnei Magal e Roberto Carlos.

Distäncias recordes de 3km de alcance eram efusivamente comemoradas, pois o objetivo inicial da rádio estava concretizado; nosso sinal podia ser captado em toda a Unicamp e até fora dela.

A Moradia ainda estava nascendo, mas já estávamos de olho naquela que seria nossa provável maior audiëncia... desde que conseguíssimos chegar com um mínio de qualidade. Foi então que...

-"Po meu, liberaram a salinha da caixa d'água pra gente por a rádio!"

Esta frase mudou completamente o destino da Muda. Tínhamos agora a nossa disposição uma torre de 50metros de altura para nossa antena, uma salinha só nossa e muita vontade de chegar não só na Moradia, mas também no centro de Campinas. Porém, surgiram novos problemas...

Precisávamos de um transmissor melhor, mais estável e mais potente, já que teríamos uma perda de sinal muito grande devido aos 50 metros de cabo coaxial, e 5 watts já era muito pouco para nossas ambições. Além disso, nosso sinal mesmo que chegasse ao centro da cidade era sobreposto por sinais espúrios de certas rádios que operam desreguladas e/ou com muita potëncia e emitem sinais em toda faixa de FM.

Adquirimos então um novo transmissor, com, vejam só, 40 watts de potëncia, mais do que sufuciënte para nossos singelos objetivos.

No próximo número, a segunda parte...

_Nota do Digitador:

Este texto foi escrito há muito tempo atrás e não há certeza quanto sua autoria. Ele é apresentado como dividido em duas partes. A primeira foi transcrita aqui em sua integralidade. Porém, quanto a segunda, apenas consta um título e uma página em branco. Há uma assinatura feita à mão: Rubinho. Na linha de baixo, escrito pela mesma pessoa: Re....Popcorn.

Encontrei esse texto por volta de 1999, em uma das inumeras pastas de textos disponíveis para cópia no xerox do Seu Luis, em um papel meio amarelado, com letras datilogradas já bem gastas. Na primeira página, as palavras da margem da esquerda estão apagadas, dificultando a comrpeensão/dedução do que está escrito.

Transcrevo o texto e guardo a cópia original para um dia repassá-la para um arquivo da Muda. É importante destacar que esse texto não pode ser tomado como 'A HISTÓRIA' da Muda, uma espécie de 'Elo perdido'. Assim como todos os outros textos que pretendem contar A história, ele apenas conta UMA história.

_Notas de Rodapé:

(*) o lugar onde o narrador diz que a BC se localizava na época deve ser onde hoje é o DCE, cantina e lojinhas, pois a DAC ficava naquele prédio ao lado do DCE, até 2000.
(**) os trechos que contam com essa sinalização são os trechos em que a compreensão/dedução não foram possíveis e indicam que há palavras faltando.

Add new comment