Uma visão da rádio Muda. Esclarecimento sobre o roubo do transmissor em 1996

Entrevista com Osmar.

Início

Democratizar a universidade. Não à cobrança de taxas. Avaliação de docentes pelos estudantes. Organização por coletivos. Democracia popular.

Era esse o contexto de idéias e ações que, segundo Osmar Filho, vivia a Unicamp no começo da década de 90, dando vazão aos ecos de 68. Borbulhava o movimento estudantil.

Osmar veio de Brasília estudar engenharia de alimentos. Foi lá que teve início seus primeiros contatos com rádio, no sentido de fazer, e não apenas de ouvir rádio. Junto com dois amigos, gravava em fita cassete dentro de um quarto, programas de rádio montados a partir de representações, efeitos especiais, músicas, entre outros. Em estilo humorístico, iniciava-se no campo do rádio amadorismo. As fitas eram tocadas no cachorro quente que freqüentavam, em um ambiente de confraternização com amigos e conhecidos.
Já em Campinas, com outros dois amigos estudantes, fica sabendo da existência de um transmissor no Instituto de Física, que estaria lá abandonado: o estudante que o teria montado estava agora estudando no Japão e ninguém mostrava interesse em usá-lo novamente de novo. Há então a doação desse transmissor de 5W de potência que passa a ser utilizado para a transmissão de uma rádio livre que toma lugar dentro do DCE em uma sala de depósito. Alguns equipamentos do próprio Diretório dos Estudantes que também estavam de lado, alguns danificados, foram reapropriados e davam início ao estúdio que começava a se formar. Um dos estudantes, técnico em eletrônica, Jaime Balbino, colaborava com seu conhecimento para os consertos e instalações necessárias. Pela janela saía um fio que conectava à antena.

Após alguns meses de funcionamento, chegam à conclusão de que a rádio precisava de um estúdio, afinal, uma sala de depósito não se mostrava como o local mais apropriado para um estúdio. Então é pensada uma possibilidade de se requisitar uma sala na base da caixa d’água em frente à Biblioteca Central com o pretexto de servir de depósito para o DCE. A sala é concedida pela administração do Campus e inclusive uma Kombi da universidade é requisitada para mover as tralhas. Na idéia isso serviria de fachada. E então foi feito. E no meio da tralha foram juntos os equipamentos e o transmissor. A rádio se apropria do espaço aonde funciona até hoje.
Foi nessa época que o grupo começa a se expandir e mais estudantes começam a participar. Osmar cita o nome de Fabio Abdala que, segundo ele, teria trazido pessoas do IFCH - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, para fazer parte do recém criado coletivo da radio muda. As pessoas vão aparecendo e em 1993 já haveria de 80 a 100 programadores. Nesse ano também, começa a ser pensada a idéia de se aumentar a potência do transmissor e são comprados três transmissores para as rádios dos campi de campinas, limeira e o de piracicaba, criando-se assim três rádios em conjunto - A Muda, Cega e Surda respectivamente, cada uma com um transmissor de 50W. A idéia do nome teria vindo dos integrantes da Rádio livre de Campinas e aceita com entusiasmo pelos estudantes dos outros campi – baseada na famosa figura dos 3 macaquinhos que, com as mãos, cobrem a boca, os ouvidos e os olhos, os nomes remetiam à repressão, à impossibilidade da comunicação. A compra dos transmissores é feita junto ao Coletivo Nacional de Rádios Livres, organização que reunia rádios livres e comunitárias e cujo diretor era um professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Estadual de São Paulo - ECA-USP - este repassaria os transmissores. Havia um código e, assim foram encomendadas 3 caixas de 50 garrafas de vinho. A Rádio Cega de Limeira se desenvolve, com um coletivo numeroso, já a Surda de Piracicaba tem uma atuação mais reduzida. Segundo Osmar, não havia um grande interesse por parte dos estudantes em desenvolver mais profundamente o projeto em piracicaba, ficando algo restrito aos alunos que freqüentavam o centro acadêmico de Pira.
As decisões na então agora Rádio Muda eram tomadas pelo que Osmar chamou de consenso - as reuniões, que aconteciam toda segunda à noite no DCE eram por vezes intermináveis - até que se chegasse a um consenso, a reunião não acabava.
Osmar foi Coordenador do DCE de 1993 até 1996. Sua chapa, a dos petistas independentes e sem tendência, era denominada Identidade. Entrou no DCE pelo movimento dos Sarais de poesia na moradia - era um dos organizadores. Foi atraído pelo DC, que chamava essa galera para participar. “Ninguém queria participar da coordenação de imprensa e fui convidado para ela com o compromisso de ajudar no movimento das rádios livres” Diz que as áreas de interesse mais disputadas eram a tesouraria e a coordenação geral, onde se concentravam a grana e o poder de decisão. Chegava ao DCE, portanto, com uma forte proposta cultural. Era ao mesmo tempo coordenador da Muda. O que era um coordenador da Muda? Eu pergunto. Ele fala que só havia um coordenador da Muda, que era ele, e que era uma posição não formal, uma pessoa-contato. Era ele quem faria o contato com o DCE, em caso de apoio ou requisição para conserto/troca de equipamentos, ou com qualquer parte externa à rádio, para resolver algum tipo de problema, por exemplo. Era digamos assim, uma pessoa referência para contatar o coletivo da Rádio Muda. Nas reuniões do DCE, também representava a Rádio Muda e muitas vezes nas reuniões da Rádio Muda, representava o DCE. Isso causava certa confusão na cabeça das pessoas. Os mudeiros muitas vezes o escutavam como coordenador do DCE e representante dos interesses desse órgão e não como integrante da rádio, ou como a pessoa Osmar. Isso causava certos problemas de comunicação.
Os primeiros equipamentos da Muda, portanto, eram do DCE, com chassi e tudo. Formalmente eram patrimônio do DCE, mas na prática eram da Muda. O dinheiro para conserto e novas compras saía do DCE, disputando espaço com outros projetos e propostas tais como “a saída de 10 ônibus para o apoio da greve dos professores”, “uma viagem a SBPC” em contraposição com “a compra de uma nova pick-up”, por exemplo.

A Chave

Um dos problemas de organização da rádio na época era a questão da chave. Inicialmente havia uma só chave e a intenção dos programadores era que se mantivesse essa situação devido a questões de segurança. Quem fosse fazer programa pegava a chave com o programador anterior e por sua vez passava para o programador seguinte. Porém, desencontros poderiam acontecer e aconteciam. Às vezes o programador anterior simplesmente não comparecia ao estúdio, faltava no seu programa, inviabilizando o repasse da chave. Às vezes, ia viajar e levava a chave junto. Novamente a rádio ficava fora do ar, talvez por alguns dias.
Discussões aconteciam: deveria haver várias cópias da chave? Com o tempo as cópias iam sendo feitas espontaneamente, apesar do combinado da existência de uma só chave.

Conteúdo e Programação

De acordo com Osmar, eram consenso desde 1992, algumas linhas básicas de restrição na programação: não defender nenhum partido político; não falar ou emitir opiniões sobre política; não falar palavrão. Até o dia em que essas regras foram questionadas. Osmar, vindo para a Unicamp de carona, apresenta a idéia da Rádio Muda para o motorista e solicita a este que sintonize na freqüência para que pudesse conhecer melhor a programação. Curioso, o motorista atende a solicitação e está no ar o programa “Acorda, Filho da Puta!” realizado por Tony, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH. Nesse programa, que iniciava com um estrondoso grito anunciando o seu nome, e realizado no período da manhã, além de conter palavrões no próprio nome, continha conteúdo ofensivo durante o programa - segundo Osmar, até a mãe do governador já havia sido chamada de “puta”. Então o motorista ouve o rádio e fica abismado “É essa a rádio da Unicamp? Que tipo de programação é essa?!”. Osmar se sente envergonhado e revoltado. Logo que chega a Unicamp se direciona a Rádio Muda para trocar uma idéia com Tony. Na reunião seguinte, o assunto é colocado em pauta e a divergência vem à tona: muitos defendem Tony, e o seu direito, assim como o de todos, de livre expressão. Outros preferem as regras já formuladas. Osmar quer uma punição, afinal as regras foram desrespeitadas. Vence a liberdade de expressão e as regras se tornam inutilizadas. Agora cabe a cada programador avaliar o conteúdo de seus programas. Até 1996, quando Osmar tem notícia, foi assim que continuou funcionando.
Em relação ao seu programa, mantinha uma linha onde realizava debates, trazia entrevistas, recitava poesias. Era o programa “Músicos e Poetas, Poetas e Músicos”, com a inicial idéia de dar continuidade aos tempos de Brasília fazendo um programa em estilo literário. Várias pessoas compareciam e acompanhavam o seu programa.

Organização política

Osmar diz que estabelecia uma coerência em sua atuação política, baseada na atuação por meio de coletivos - o coletivo da Rádio Muda, o coletivo do Cursinho do DCE, e as tentativas de fazer o movimento estudantil saltar os muros da universidade.. Era um período de efervescência na universidade. O Movimento Estudantil começa a se aproximar do Movimento dos Trabalhadores Rurais dos Sem Terra-MST. A noção de Coletivo se espalhava. Sua concepção partia do pressuposto de que as coisas devem ser feitas na base e as pessoas devem tomar as rédeas de seu processo político. Nesse ponto esboça um dos pontos fundamentais de divergência entre o que denomina anarquistas e socialistas - a tomada do poder. Fala que na Muda daquela época, apesar de tendências e formas de pensar diversas, havia um conflito claro entre esses dois grupos. Os de pensamento socialista estavam mais espalhados pelo resto do movimento estudantil, em suas diversas tendências partidárias e a rádio concentrava os anarquistas.
As atividades da rádio fora de sua rotina de programação se davam pela participação espontânea ou esporádica dos programadores. Nos encontros com outras rádios e movimentos, “ia quem quer”, sendo Osmar um dos que participava ativamente desses encontros. Algumas pessoas participavam e a maioria se concentrava unicamente no seu programa semanal.

Livre x Comunitária

As concepções sobre o caráter de atuação da Rádio Muda são diversas desde sua fundação. Uma das principais polêmicas é sobre duas características que se mostravam, na época, como divergentes: a comunitária, que na época se definia como uma inserção de fato nas áreas fora da Unicamp, estabelecendo uma ligação através da democratização da comunicação e fazendo com que os espaços da universidade fossem ocupados; e a livre, que se definia pela atuação do programador de rádio dentro dos limites do estúdio: democratizando a informação através da prática da própria transmissão de rádio. O primeiro aspecto, do qual Osmar se mostrava defensor, estabelecia-se contra o monopólio da informação - onde “você vê o que é interessante de ser visto” - e vinculando-se ao aspecto “social”, trazendo pessoas diversas para a prática da Muda e que já se mostrava no próprio nome da Rádio - Rádio Muda, em conjunção com a Rádio Cega, de Piracicaba e a Surda de Limeira, ilustram a figura dos três macaquinhos: com a mãos, um deles tapa a boca, o outro tapa os ouvidos e o outro os olhos- é o símbolo da repressão, a impossibilidade da comunicação, portanto, “o próprio nome já trás a coisa do social”. O livre se definiu pela concepção de alguns programadores de que a rádio em si, ou, “nela mesma”, já seria o “social” - um território livre e autônomo. Realizar um programa de rádio, ocupando o espaço e também democratizando a informação já seria suficiente. Nesse sentido, Osmar, apesar de estar sempre pela defesa “comunitária” da rádio, comemora: estudantes vindos de classe média/média alta que antes não tinham nenhum contato com organizações políticas, começavam a exercer na rádio Muda a capacidade de organização e de debate. Era um germe que posteriormente poderia resultar em participações políticas mais amplas, nos locais de trabalho, por exemplo. Após alguns anos de experiência radiofônica, vai repensando a Muda e também a noção de “comunitária” que defendia. Observa a composição e atuação dos membros da rádio e chega à conclusão que a comunidade da qual a muda faz parte é afinal a comunidade universitária, um ambiente de constante produção de conhecimento e experimentação. A Muda se configura como um laboratório. “Esse não é o papel da Muda? Democratizar a informação? Isso não é política?”. Em sua concepção, portanto, comunitária e livre se fundem e a noção de democratizar a informação lhe parece satisfatória. Comenta sobre outros programas realizados na rádio, de jazz e música clássica, que resgatavam músicas, história da música e também forneciam explicações valiosas a qual certamente muitos não teriam acesso: “Programas de qualidade”.
Em relação à participação do restante dos estudantes em geral, apesar de a rádio ter sempre sido um coletivo numeroso, Osmar admite que a Muda era vista por muitos estudantes como um grupo fechado que sentiam-se desestimulados a participação. Fatos como a organização de horários, onde havia uma prioridade de escolha pelos veteranos, era um dos motivos desse afastamento. Comenta que muitos associavam a rádio a um ambiente de drogas. Muitos, pelo contrário, se empolgavam com o caráter de congregação de pessoas que a rádio proporcionava, mostrando-se como um constante espaço de integração.

Números. Homens e Mulheres

Em 1992 o estúdio se localizava do DCE. Muda-se para a caixa d’água em 1993 e o coletivo começa a se formar atingindo o número de aproximadamente 100 pessoas, se mantendo pelo menos até 1996, quando Osmar para de acompanhar as atividades da rádio. Nesse período, aproximadamente dois terços do coletivo eram compostos por homens. “Nunca presenciei conflito de gênero”. Havia programas mistos e participação de ambos os sexos.

Organização interna

“Depois de um tempo o pessoal viu que o consenso era muito difícil”. Desde o caso Tony o consenso de verdade passa a se dar cada vez mais nas questões técnicas, que era o que todos precisavam e utilizavam sem nenhuma sombra de dúvida. A organização da grade de horários que, desde o começo se caracterizava pela preferência de escolha de horários pelos veteranos antes que os ingressantes, mantinha-se pelo consenso entre os veteranos. Aos novos era dado o recado: “vai se encaixando aí e uma hora que vagar você pega um horário melhor”. Os ingressantes que protestavam acabavam se conformando com a idéia e no semestre seguinte estabeleciam-se como veteranos e a tradição da escolha de horários se mantinha. Osmar enxerga esse fato como uma contradição: O consenso na tradição. Admite que era um dos que não concordava com a situação de preferência porém, não se manifestava, assim como outros: “Não vou comprar essa briga” no que era quase um consenso.
Fala que um dos grandes desafios na Muda, e que inclusive se mostra até hoje em todas as organizações das quais participa, era o diálogo entre o indivíduo e o coletivo. “Qual o espaço de um e de outro”. Em sua posição de coordenador do DCE, coordenador da Muda e coordenador do Cursinho do DCE, admite que acabava se tornando uma figura simbólica de poder entre os estudantes, entre os programadores da Rádio. Era a pessoa que fazia o contato entre a Muda e o DCE, entre partes externas, requisitando apoio para conserto de equipamentos, por exemplo, ou para resolver algum problema. O contato, digamos assim, era o Osmar. Perguntei se essa situação não se mostrava contraditória em relação a sua defesa de caráter comunitário da rádio afinal, várias ações estavam centralizadas em uma só pessoa. Ele fala que sim, que acabava sendo contraditório e que as pessoas avaliavam sua atuação como ambígua: para alguns da rádio Muda, havia a impressão de que “estivesse puxando sardinha” para o lado dos coletivos, ou do DCE. Mas fala que sua atuação também era reflexo de certa acomodação de pessoas que não participavam, deixando o serviço para as que sempre estavam participando. E também admite: “Você acaba se acostumando, é uma posição de poder”.

As reuniões de grade, organizadas todo começo de semestre, delineavam os horários da programação para o semestre por vir e os programadores que já vinham desenvolvendo um projeto na Rádio mantinham os horários que ocupavam na grade anterior.

O Roubo

A história do roubo da Rádio. 1996. Eleições para o DCE. A oposição se concentra na chapa do Pcdo B, contra a chapa da qual Osmar fazia parte, a dos petistas independentes - Identidade. Parte do coletivo da Muda vinha há tempos discutindo a questão da independência em relação ao DCE, assim como outros grupos, por ex. o Cursinho do DCE, localizado na Casa de Cultura do DCE no centro de Campinas - A Unicamp pagava um aluguel para o funcionamento desse espaço.
De acordo com Osmar, a chapa de oposição atraiu para seu lado esses grupos com a promessa de que, se ganhasse, concederia liberdade e desvinculação do Diretório dos Estudantes.
Em plena eleição, provavelmente num sábado, descobre-se que os equipamentos da rádio haviam sido roubados. Osmar, que estava viajando, volta na segunda e é acusado pelos membros do coletivo que já haviam comparecido à segurança da Unicamp para averiguar a situação. O motivo: No escritório do chefe da segurança encontraram um documento assinado por Osmar, autorizando o estudante de economia Marcelo Freire a retirar os equipamentos do estúdio. Porém, não se mencionava o destino da aparelhagem. Osmar nega a autoria do documento, afirmando inclusive que o nome completo atribuído à sua pessoa estava errado. Então se encaminha à Delegacia de Polícia de Barão Geraldo para dar parte de roubo dos equipamentos, atribuindo a posse dos mesmos ao DCE. Segundo ele, não era possível atribuí-los à Rádio Muda, rádio livre, por razões óbvias de ilegalidade, apesar de o documento deixado na segurança da Unicamp mencionar o nome “Rádio Muda”. É então, apresentado o documento à polícia, tido por Osmar como falsificado. Logo é realizado o exame grafo técnico para investigação da autoria da assinatura, indicando a falsificação da letra. O nome Marcelo Freire é buscado pela polícia e a Unicamp fornece seu endereço. O estudante de economia, que segundo Osmar era anarquista e não participava da rádio, apesar de ter relações de amizade com alguns programadores da Muda, fazia parte da oposição ao DCE. É então indiciado por três crimes: roubo; calúnia, falsificação e difamação; além de ocultação de roubo. Dois seguranças que estavam no local serviram de testemunha - teriam visto o rapaz retirando a aparelhagem.
Aproximadamente uma semana depois, um dos funcionários do DCE - Seu Borgi, nota algo estranho no telhado de fora do Diretório: empacotado em plásticos pretos, o equipamento é encontrado. Totalmente danificado pela chuva e pelo sol, ficam inutilizados, inclusive o transmissor. São levados para a polícia como prova do crime e provavelmente se encontram no fórum de Campinas como prova até hoje. A chapa Identidade perde as eleições e Osmar se desliga do DCE, e também da Muda, abalado pelos acontecimentos. Resolve se concentrar mais no seu curso, vindo a ser representante estudantil no Consu-Conselho Universitário - em 1996 e em 1997.
Durante os anos posteriores, a versão que é veiculada por algumas pessoas é a seguinte: o DCE, ou o próprio Osmar, em sua ligação com a entidade, teria roubado os equipamentos, numa tentativa de continuar mantendo a rádio vinculada ao Diretório dos Estudantes, perante o movimento de oposição à manutenção do vínculo da Rádio ao DCE. Mesmo com o esclarecimento dos fatos e comprovação pelos documentos existentes, como o exame grafo técnico (inclusive alguns programadores foram até a Delegacia para verificar sua existência), Osmar alega que teria sido conveniente para os estudantes da época, que fosse associado o roubo dos equipamentos a sua autoria – essa visão reforçaria o movimento de desligamento da Rádio em relação ao DCE já que este supostamente estaria envolvido no próprio roubo da aparelhagem. Era uma solução histórica para um conflito histórico, onde interesses e visões se encaixariam. Ainda hoje, não se têm notícias do término do processo judicial.
Nos jornais é noticiado - “Roubo da Rádio do DCE”, o que veio a causar mais conflitos entre os programadores da Muda e a chapa Identidade.
Após as eleições é concedida a “liberdade” à Rádio Muda. E também ao cursinho do DCE, que no final passa a se tornar comercial, desviculando-se do DCE e da administração da Unicamp, que pagava o aluguel durante os primeiros anos. Continua no mesmo espaço, mas agora, autônomo.
A Rádio se organiza e compra nova aparelhagem e funciona até hoje, ano de 2007 no mesmo espaço, dentro da caixa d’água do Ciclo Básico, mais conhecida como “Pau do Zefa”, em referência à Zeferino Vaz.
De acordo com Osmar, ao final do caso do cursinho fica a lição de que sem o DCE ou uma comunidade a sua volta o cursinho, que antes se configurava como um projeto social e sem fins lucrativos, havia se transformado em uma empresa comercial, mesmo com a proposta de bolsas e facilidades aos alunos carentes. No caso da Muda, a independência do DCE teria afirmado ainda mais o seu caráter de rádio-livre, refletindo de certa maneira as possibilidades e os limites de organização política da comunidade de estudantes da Unicamp.

Add new comment