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COMUNICADO da RADIO MUDA AO ENU

Ocupar terra pra trabalhar e ilegal
Montar radio pra comunicar tambem : de quem é a lei???

Queremos trazer a este encontro nacional de estudantes, cujo tema central e a terra, o questinamento sobre a concentracao do ar face a concentracao da terra no Brasil. A reforma agraria do ar.

Hoje a propriedade da terra esta concentrada nas maos de poucos latifundiarios e a consequencia disso e muita gente com fome. Desobedecendo a lei, os sem terra reivindicam a terra para quem trabalha.

O ar, meio pelo qual as radios e TVs transmitem suas ondas, e controlado pelo Estado que concede seu uso a poucos e grandes grupos economicos. Estas empresas tem o monopolio da fala e da imagem hoje no pais. Interessadas somente no lucro, nao estao preocupadas com o desenvolvimento educacional e cultural da populacao. Para ganhar o maximo possivel, impoem o consumo facil de uma cultura desvinculada da realidade da maior parte desta populacao. Alem disso, tem sempre o rabo preso com o governo federal, com quem negociam suas concessoes. A sua versao dos acontecimentos politicos, transmitida diariamente, colabora com o controle da informacao. Desobedecendo a lei, as radios livres, comunitarias ou camponesas viabilizam a construcao da comunicacao a partir da propria populacao.

Quando sem terras, estudantes, trabalhadores, artistas ou qualquer cidadao resolvem colocar seus transmissores no ar para dizer o que pensam e sentem dessa realidade imposta, as instituicoes policiais sao acionadas para manter a ordem.

Fazer radio, se manifestar sem a necessidade de mediadores, e cada vez mais facil e mais barato. Montar uma radio que transmita para alguns bairros ou ate para uma cidade, e cada vez mais acessivel aos movimentos sociais, a todos que tenham algo a dizer.
Sem duvida o movimento mais difamado pela grande midia, o MST tem se empenhado cada vez mais no desenvolvimento das radios camponesas, como forma de contar outra historia sobre si mesmo.

As radios produzidas por estudantes em universidades comunicam um pouco da riqueza cultural destes centros produtores de conhecimento. Por outro lado, a partir da interacao com a comunidade estas radios podem trazer à sua programação o saber proprio dos movimentos sociais que resistem à regulação da vida pelo mercado. Estimular o debate e a reflexão crítica na universidade, gestar novas atitudes: o potencial dessas rádios está sendo descoberto. Ao se desenvolverem, ferem interesses de empresas e politicos e tem que enfrentar a repressao policial.

Hoje, quem esta enfrentando este problema é a Radio Muda FM. Uma radio livre que resiste ha mais de 10 anos aqui na UNICAMP. A radio mais ouvida pelos estudantes estava dando prejuizo as radios comerciais da cidade. Fomos denunciados. Pela primeira vez tivemos a nossa porta a Anatel e a Policia Federal na ultima quarta-feira. Felizmente, encontraram a radio desligada e os equipamentos nao foram apreendidos, nem a radio lacrada. Porem, com a radio no ar, continuamos correndo este risco. Convidamos os estudantes deste encontro a solidarizar-se a nossa luta, participando de um ato pela liberdade de expressao em frente a Radio Muda este Sabado a partir das 19:00 h.

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